domingo, 23 de maio de 2010

Aninhada em ti

( Foto retirada da net)



Anda cá…

Apaga a luz e senta-te aqui

Dá-me a mão…

Quero entrelaçar meus dedos nos teus

Sentir tua pele perfumada de desejo.

Solto uma respiração morna em teu pescoço

Encosto levemente a minha boca à tua pele

Fecho os olhos e deixo-me levar pela corrente.

Nossas roupas abandonam-nos

Juntas…caem no chão,

Assistem ao filme do nosso desejo.

As tuas mãos, essas…percorrem meu corpo

Hum….são de cetim….macias.

Eu redescubro teu corpo

Todas as vezes parecem a primeira

Fico sempre com o arrepio frio no estômago

Fico sempre insegura…e se não te agrado?

Num rasgo de lucidez envenenada de prazer

Dou conta da tua voz…proferes palavras meigas

Remanesço extasiada…

Sinto-me engrandecer…sou tua…estou à tua mercê

Só quero estar nos teus braços

Só quero que o tempo pare!

Sou tão feliz aninhada em ti.
 
 
 
In: "Ler-te" de Helena Isabel

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Palabras



“Palabras” que sussurro de noite

Enquanto te busco por entre lençóis

Não estás…

Mas sinto-te ali

Sabes…lençóis que contam histórias

São contos de amor

Páginas de desejo

Canções de vida…por vezes esquecida.

São saudades sentidas do desconhecido

São vontades de uma paixão

Percursos nunca caminhados

Segredos recatados

Sei de cor o teu corpo

O cheiro indefinido da tua pele

Adivinho o que sentes

Mesmo quando me mentes

Sei-te de cor…

Conheço todas as “palabras”

Que de noite são proferidas

No encontro de ambos…em nossos sonhos

São lençóis que alimentam suores

Que cantam lágrimas

Que sentem sorrisos

Sabes…és fonte de água cristalina

Mato a minha sede na tua voz

São meras “palabras”




Nota: Palabras – Vocábulo em Espanhol que significa “ palavras”.

In:” Ler-te” de Helena Isabel


quarta-feira, 12 de maio de 2010

És Catedral

( Foto retirada da net)




Não me encontro em nenhum lugar

Não sei onde pertenço

Se ao teu regaço

Se às ondas do teu mar.

Nas marés…intempestivas do teu ser

Eu nado, balanço, danço…tango

Nas águas… serenas da tua alma

Eu beijo, vejo, desejo… almejo

És Catedral divina de prazer

Teu corpo, para mim, minha oração

Altar sublime… satisfação

Coração em vela acesa

É lá que quero constar

É lá que me quero gravar

Lá…desejo perdurar!


                                   Helena Isabel


Linda

sábado, 8 de maio de 2010

Madrugadas

(Foto de uma tela a óleo de Helena Isabel)

Estimo as madrugadas

Aprecio o sussurro do seu silêncio.

Poderosos sentimentos que ousam

Mostrar-se pela calada da noite.

Imperam intempestivamente desejos!

Fechos os olhos e deixo-me levar…

Ao sabor da balada da chuva

Ao som da onda que beija a areia

Escuridão com rasgo de luar…

São horas de dar vida aos sonhos

Caracóis eróticos,

Mechas de cabelos que te percorrem

Sedutoras… pelo teu corpo.

Beijos dados… por inteiro

Durmo tranquila, serena…

Esperando que amanheça

Que a aurora de um novo dia aconteça!


                                                      Helena Isabel

terça-feira, 4 de maio de 2010

Freio de mão





Exacerbei-me por um travão

Freio de mão

Sempre travado, nunca desnudado.

Palavras doces? Poucas…causam diabetes

Mas enlouquecem qualquer mulher.

A cada curva, provável despiste

Numa recta, momento de distracção

Vou aproveitar…

Aceleração banal, o condutor apercebe-se

A muito custo, contendo perícia

Lá vai soltando o ar

Que entrara nos tubos

Deixa-se levar a soluços

Entusiasmo total? Terá que ficar

Para um outro Carnaval

Quem sabe afinal… de mecânica individual.

                                                                                                                       Helena Isabel