terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caminho

( Foto retirada da net)




Doce lamento

Um suspiro de saudade

O de um sentimento

Audaz mergulho

No escuro, na verdade!

Da vida traz um alento

Um ensinamento.

Da claridade, uma estrela

Do prazer, da virtude…a voz

Pérola, pedra preciosa

O caminho que percorro descalça

Fá-lo-ei brilhar, trilhando-o

Passo a passo… turno a turno

Um mundo à espera?

Um duche de erudição

Arrefecimento, luz… intuição.

Horizontes de embarcações

Memórias gravadas nas emoções.

 
                                                                                                  Helena Isabel

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Doente

(Foto minha)


Sinto-me doente

Estou mal, fraca

Estou… morrente!

Com esta educação decadente

Reuniões, reuniões

Projectos, projectos

Afinal, os alunos

Não deveriam ser o principal?

E tempo? Tempo para eles?

Na sala de aula, em que contexto leccionamos?

Quando temos tanto… que fazer!

Actas, matrizes

Os meninos, a alegria… de ter um dia

Sem projectos, papéis

Que ficam guardados na gaveta

E a inspecção é que inventa!

Tempo para corrigir?!

Família… segundo ou terceiro plano

Mas isso… ninguém se lembra!

Como estou doente… morrente

Da profissão que mais amo.


       Helena Isabel

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O tempo cura tudo?



O tempo cura tudo? Mentira, não cura nada.

Sinto a tua falta.

Nas alturas em que me sinto mais fraca.

Olho-te nas noites mais estreladas,

Lá estás tu… a mais brilhante!

Tão linda… a mais bela estrela

Há quase vinte anos brilha

Sei que lá estás a dar força, para seguir em frente.

Sinto a tua falta.

Nas alturas em que sinto mais alegria.

Queria partilhar contigo,

Cara a cara, palavra a palavra…

As sensações, as causas de tanto contentamento,

Júbilo de fantasia

É mentira, o tempo não cura nada! Apazigua, adormece!

A vida revolta-nos, ceifa-nos…

Falece-nos de pessoas boas.

Em troca, presenteia-nos com momentos de saudade,

Ao fim de quase vinte anos,

Contemplo-te das janelas…das varandas

No céu, bem lá no alto, a mais brilhante estrelinha, que sorri

Que por mim olha todas as noites…

Acena e baixinho diz:

-Dorme tranquila e feliz

Sei-te de dia também a proteger-me,

Faça chuva ou sol, do céu olhas-me.

 
                                                                                                           Helena Isabel

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sentenças lançadas



As palavras vieram ter comigo

Sussurraram-me doces histórias de outrora,

Noites em caravanas que percorremos

Mil desertos… foram oásis, incertos.

Escuridões mágicas alumiadas pela lua,

Tanto tempo…que passou.

Tentámos percorrer …cada um … sua senda

Mas no final… à caravana fomos ter,

Temos um amor para viver.

O voo do Condor, o voo da gaivota

As almas encontraram-se!

Vem comigo… viajar…atravessar mares

Vamos caminhar, plantar e semear flores

Vamos por aí de mãos dadas,

Vamos por aí… mergulhar nos planetas,

Recheá-los de pequenos nadas.

Risos e abraços, amizades…

Felicidades crescentes, cometas sorridentes.

Na caravana, as sentenças estão lançadas!



                                                                      Helena Isabel

domingo, 17 de outubro de 2010

Musa


( Foto Net)


Vem…

Vem fazer de mim tua musa.

Vem e abraça-me

Envolve-me em teus braços.

Inclina a cabeça

Aproxima a tua boca da minha

Beija-me e esquece-te do tempo.

Em ti…

Sou flor que brota em solo estéril.

Desliza as tuas mãos…pelos meus ombros.

Pára! Pára aqui e aproveita o momento.

Tira fruto delas

Sente o odor da pele. Beija-me.

Escuta

Ouve a nossa respiração…ofegante.

Saboreia o momento…

Percorre com as tuas mãos

Meu corpo aprisionado em ti.

Desejas-me

Pedinte de prazer, jogas carícias

Recebo-te em meu abrigo.

Sinto-me amanhecer

Olhamo-nos fixamente e…beijamo-nos.

Sussurro aos teus ouvidos

O quanto estou a gostar.

Entre vaivéns pronuncias palavras

Tento entender…mas não consigo.

Tarde demais…perco a consciência

Solto-me das amarras da Terra e elevo-me.

Olho para ti…e vejo-te engrandecer.

Sinto a brisa da tua respiração.

Ondulas mais rápido

Beijas, mordiscas, lambes-me.

Não tenho noção, perdi o tempo e digo-te baixinho

- Sou tua.

Por entre lençóis, corpos e desejo

Fomos um só.

Em momentos de perdura

Momentos em que fui tua.


IN: "Ler-te" de Helena Isabel

domingo, 3 de outubro de 2010

Saber amar



Foto de Helena Isabel - Julho 2010 - Almograve


Sabes que… para mim a tua voz

Soa a calmaria de uma tarde de verão

Em que sentada na margem contemplo a foz

Oiço o leve murmurar do curso das águas

Vejo reflectida a tua imagem no leito do rio

E digo baixinho sorrindo…saber amar…

Sabes que… saber amar…é talvez

Dizer e responder… ouvir e comentar

Dar e receber…lutar e vencer

Em ti vagueio memórias…imagino histórias

Fantasio episódios…sonho personagens

Papel principal em que te peço

Deixa-me passar as mãos pela tua pele

Macia…toque de pêssego

Deixa-me beijar tua boca e voltar

A sentir teus lábios…fonte que me mata a sede

Deixa-me sentir novamente envolta

Em teus braços...crepite de lenha ardente

Hum…sentir teu corpo penetrar-me

Vaivém que se apodera

Em cada compasso de espera…um gemido soltar

Um olhar fixar…um sorriso dar

Saber amar…recordar e desejar

Lutar para o pleno alcançar
 
 
In: "Ler-te" de Helena Isabel